1968 começou diferente, com uma grande festa de réveillon e com um pouco de esperança. Não que 67 tenha sido um ano ruim, mas com algumas mudanças (a mudança do ditador e os jovens eufóricos). Como disse o jornalista Elio Gaspari, “depois do réveillon da Helô, o Rio nunca mais foi o mesmo”.
No livro “1968, o ano que não terminou” o autor, Zuenir Ventura, fala sobre as mudanças que aconteceram na época, começando com a virada de ano na casa de Heloísa Buarque de Holanda . Os jovens até poderiam estar com um pouco de esperanças, mas ninguém poderia imaginar o que estava por vir.
Zuenir que acompanhou tudo naquela época. No livro, ele fala sobre o inicio dos anos de chumbo. Conversou com pessoas que também foram testemunhas dos acontecimentos. Recorreu a documentos e ,principalmente, suas próprias recordações, quando mostra todo seu sofrimento, ao ter sido preso e tudo que viveu.
A rebeldia, que era vista na Europa, serviu de espelho para os estudantes cariocas e paulistas, sem contar nas outras capitais. Cada vez eles faziam mais manifestações e tinham apoio de populares o que acabou trazendo confrontos com militares. ““E, não satisfeitos, as brigas aumentaram e tomaram as ruas e a Reforma ganhava cada vez mais apoio daqueles jovens. Foi o ano que experimentamos todos os s limites”, escreve o jornalista no livro.
No livro, os jovens e personagens, falam também de suas emoções, namoros mais liberais e o ciúme eterno. Foi uma época em que tudo era considerado possível.
“Como movimento político, 68 pode não ter sido, como a verá, um exemplo de eficácia, do ponto de vista do comportamento, no entanto, mesmo no Brasil, seus efeitos se fazem sentir inclusive hoje, ou pelo menos até o momento em, que a AIDS passou a liderar a contra-revolução.” Aponta Zuenir.
E tudo isso começou a com a morte de um estudante, o jovem Edson Luís, assassinado por um policial. Quando o golpe militar completava quatro anos, o governo paulista esteve a ponto de decretar um novo ato Institucional, o AI5, por causa da rebeldia estudantil, ou pela insubordinação do Congresso. Do período de 28 de março a 4 de abril , que vai do dia da morte do estudante até a missa da Candelária, as manifestações estudantis se alastraram por quase todo o pais. De setembro até o final da crise, em dezembro, o Brasil entrou em grandes crises e o próprio presidente Arthur Costa e Silva falou “Estou vivendo os dias mais amargos da minha vida”.
O clímax de toda essa história foi em 14 de junho, quando foi realizada uma reunião em que se falou até em guerra no prédio do Ministério da Saúde, momento depois da invasão da Universidade de Brasília. Era um sinal que os militares haviam perdido o controle.
Em 13 de dezembro de 1968, acabava o sonhado ano idealizado pelos estudantes. E para quem foi alvo de perseguições na madrugada e os dias seguintes ao “golpe dentro do golpe”.
E assim termina o livro. “O mesmo grupo de intelectuais e artistas que promoveram o famoso réveillon no ano passado, ainda não tinham um local. Motivo: Luiz não empresta mais a casa. Réveillon como aquele só uma vez na vida”, escreveu Zuenir Ventura.